Deus e Filho de Deus no Mundo Mediterrânico: o rei grego, o imperador romano e o Jesus de Paulo de Tarso

Deus e Filho de Deus no Mundo Mediterrânico: o rei grego, o imperador romano e o Jesus de Paulo de Tarso

RESUMO

O apóstolo Paulo atribuiu a Jesus de Nazaré os títulos de ‘Deus’ e de ‘Filho de Deus’. Hoje, tais títulos possuem um significado. Porém, é possível que, no tempo de Paulo, tivessem outro sentido uma vez que, nessa mesma época, havia alguns seres que também eram chamados de ‘Deus’ e de ‘Filho de Deus’. Este fato impulsiona o presente trabalho que pretende estudar as acepções que se davam aos termos ‘Deus’ e de ‘Filho de Deus’ na Grécia helenística, na Roma Imperial e no Judaísmo pós-exílico. Também não se deixará de notar as relações de semelhança entre o culto ao rei grego, entre o culto ao imperador romano, entre o Judaísmo pós-exílico e a devoção a Jesus Cristo no Cristianismo originário. Pretende-se verificar epigrafias e inscrições constantes em rolos, papiros, e moedas que tenham relação com o culto ao governante no Período Helenístico e na Roma Imperial. Por semelhante modo se verificará a literatura judaica pós-exílica (Septuaginta, livros apócrifos, livros pseudepigráficos e manuscritos do Mar Morto) na intenção de reunir os significados com os quais eram usados os termos ‘Deus’ e de ‘Filho de Deus’. Após um estudo dos textos de Gálatas 4.14, Filipenses 2.6-11, Romanos 1.3-4 e Romanos 9.5, em que se faz uma consulta a comentaristas bíblicos, será proposta uma cristologia para o ensino de Paulo acerca da pessoa de Jesus Cristo. Uma análise do contexto sociorreligioso em que vivia Paulo de Tarso, aliada às acepções atribuídas aos títulos de ‘Deus’ e de ‘Filho de Deus’, somada ao estudo dos textos de Gálatas 4.14, Filipenses 2.6-11, Romanos 1.3-4 e Romanos 9.5, tornará evidente que, no período apostólico e sem excluir outras possibilidades, é possível entender que Jesus Cristo tinha a natureza de um anjo, de uma criatura celestial e super-humana. Continue lendo “Deus e Filho de Deus no Mundo Mediterrânico: o rei grego, o imperador romano e o Jesus de Paulo de Tarso”

Jesus de Belém ou Jesus de Nazaré?

Jesus of Bethlehem or Jesus of Nazareth?

RESUMO

Este breve trabalho deseja mostrar que o texto bíblico evolui em seu registro acerca do local de nascimento de Jesus. Embora uns eruditos sustentem que Jesus nasceu em Nazaré, outros estudiosos afirmam que Jesus nasceu em Belém. Com efeito, a própria Bíblia apresenta esses dois locais de nascimento. Porque, sem abandonar o registro marcano, no qual Nazaré é o local de nascimento de Jesus, os evangelhos que lhe seguiram, acrescentam que Jesus também nasceu em Belém.

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Dia da ressurreição: um ponto de distinção entre os dois cristos da Bíblia

Resurrection day: one point of distinction between the two christs of the Bible

RESUMO

Abordando o dia da ressurreição, este artigo tem por objetivo mostrar que diferentes Bíblias oferecem diferentes retratos de Jesus de Nazaré, assim como propõe um modelo que explique a mudança de dia do culto cristão. Na Bíblia em português, Jesus ressuscita no domingo. Na Bíblia em grego antigo, ele ressuscita no primeiro dos shabats. O termo hebraico shabat significa ‘feriado’ (semanal ou anual), isto é, dia de festa. E o antigo idioma grego empregava o número plural (shabats) em referência às celebrações anuais (aniversários, festivais). Expondo-se essas particularidades linguísticas dos idiomas hebraico e grego, permite-se então entender que a ressurreição de Jesus Cristo ocorreu no primeiro dia após o feriado anual da Páscoa, sem indicação do dia da semana. Isso pode ser verificado na primeira edição de O Novo Testamento, de Lutero (setembro de 1522) e na primeira edição da Bíblia do Urso (1569). Além disso, os pais da Igreja mostram que os primeiros cristãos congregavam no shabat (o sétimo dia da semana) e no dia do Senhor (um dia anual, o dia da ressurreição). Entretanto, numa possível correlação com a mudança do calendário imperial romano — que fez do dia do Sol o primeiro dia da semana e o dia de feriado semanal —, os cristãos mudaram seus dias de culto. O culto semanal passou para o primeiro dia da semana (dia do Sol), e o culto anual passou para o dia do Sol, da Páscoa.

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